O que há em comum entre a Lombar, os Medos, os Relacionamentos, a Auto-Estima e o Dinheiro?

A lombar é uma das zonas mais sensíveis do nosso corpo e nesta publicação e artigo convido-vos a explorar o que diferentes disciplinas de saber nos dizem sobre esta região, confluindo nas suas conclusões.
A lombar é uma zona muito exposta e vítima da pressão que exercemos sobre ela ao permanecermos sentados durante longas horas, ao mobilizá-la repentinamente para apanhar pesos como as compras e até no esforço que empreendemos no ginásio.

Frequentemente queixamo-nos de tensão, rigidez e dor nessa região que protege igualmente os nossos rins. Sintomas nesta zona muitas vezes mascaram questões nestes órgãos e vice-versa e na medicina convencional ou ocidental, à luz da minha experiência, o diagnóstico começa por vezes por descartar questões dos rins e só depois musculoesqueléticas. No topo dos rins também estão localizadas duas glândulas suprarrenais ou adrenais que por sua vez são responsáveis pela produção de várias hormonas com funções vitais e das quais destaco o cortisol e a adrenalina. O cortisol é conhecido como “a hormona do stress” uma vez que regula a pressão arterial, reduz a inflamação e aumenta o açúcar no sangue em situações de stress. A adrenalina é uma hormona que nos ajuda na resposta de “luta ou fuga”/”fight or fly” ao preparar o corpo para reagir de forma rápida e imediata a perigos ou sinais de stress físico (aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial, dilatando as vias respiratórias e enviando sangue para os músculos). Daqui depreendemos que é nesta zona que se localizam os responsáveis pela auto-regulação do modo de luta ou defesa daquilo que nos parece hostil ou suscita medo.

Na medicina tradicional chinesa, que relaciona os principais órgãos com as principais emoções, os rins estão ligados à emoção do medo. Então quando vivemos uma fase de maior vulnerabilidade, impotência e receio, muitas vezes somatizamos neste órgão e/ou na lombar o resultado desses medos.

Numa abordagem bioenergética e de ´"bioneuroemoção", onde procuramos entender as causas emocionais por detrás dos problemas de lombar, é-nos revelado que por exemplo a hiperlordose (curvatura acentuada da lombar) indica problemas em receber; ter dificuldade em deixar-se ajudar; falta de apoio. Pensemos em como a lombar não se deixa apoiar pelas costas da cadeira e empurra a cadeira com a bacia. Pensemos na grávidas  que projetam a barriga para a frente quando cresce e mostram ao mundo como estão a fazer o seu trabalho de gestação de outro Ser. Já na lombalgia as pessoas apresentam frequentemente problemas económicos, sentimento de escassez ou crença de que lhes falta dinheiro.

Quando olhamos para a Astrologia, nomeadamente a Astrologia Médica, ramo da Astrologia que estuda as partes do corpo e a sua relação com a energia arquetípica dos signos e planetas (e que eu tanto levo para as minhas aulas e workshops), encontramos conclusões semelhantes às anteriores e eleva ainda mais esta reflexão. Percebemos que a lombar e os rins são as partes do corpo regidas por Vénus e por Balança/Libra. Ora quer o planeta quer o signo falam-nos da qualidade dos nossos relacionamentos com os outros, da relação connosco mesmos, do nosso valor pessoal, da nossa autoestima e da relação com o dinheiro. Uma das sombras de Balança que recordo sempre aos meus alunos é a tendência para agradar ao outro, para ser aceite…por medo de ser rejeitado ou por medo de não ser apreciado…mesmo que o preço a pagar seja dar demasiado, acabando por se anular e por não ser verdadeiro. Por outro lado, o medo de não conseguir ir sozinho frente à vida revela a falta de coragem em nós próprios, de valorização de quem somos e do que temos para dar. Aqui precisamos de aprender com o signo oposto a Balança, Carneiro, que nos ensina a acreditar no nosso próprio poder de ação, valor próprio e a confiar na vida.

Os chakras, centros energéticos que se localizam na nossa coluna, trazem-nos outro ensinamento que reforça todos os anteriores ao lembrar-nos da importância vital de fortalecer o chakra do plexo solar. Este chakra localiza-se no nosso abdômen, a área oposta à nossa região lombar e, quando equilibrado por exemplo com a ajuda do Reiki, dá-nos poder de ação, coragem, assertividade, confiança, força de vontade, foco, poder pessoal e sentido de independência. Tudo aquilo que precisamos de equilibrar para afastarmos qualquer tipo de medo seja ele de rejeição, de solidão, de falta de dinheiro, de apoio ou até mesmo de inércia.

A lombar começou a ser uma zona desafiante para mim a partir de 2020, em pleno Covid e lockdown. Lembro-me exatamente de como começou a minha primeira crise porque me obrigou a perceber o que a despoletou, à luz do conhecimento anterior. Tinha acabado de ver um qualquer romance dramático na TV e irrompi num choro incontrolável sobre o tema da solidão e do medo do isolamento…eu que tenho Marte em Carneiro e Vénus em Carneiro (signo onde Vénus se encontra exilada) e levei grande parte da minha vida a pensar que podia fazer tudo sozinha.
Depois de diagnosticadas duas hérnias na lombar mergulhei num trabalho de investigação sobre as as causas emocionais que estão na raiz desta somatização física, mas também sobre o que podia fazer a nível de prevenção e tratamento.
Comecei a munir-me de uma combinação de ferramentas de suporte que vou alternando quando tenho crises. Faço reflexões profundas, observo onde estou, como estou e com quem estou, quais os meus medos, observo quem sofre de temáticas comuns, atraio cada vez mais alunos e clientes com as mesmas problemáticas e partilho tudo o que sei em aulas e consultas, inclusive a minha lista de contatos de “ Terapeutas SOS” a quem recorro sempre que preciso.

Estes últimos dias tenho acompanhado de perto o caso de um amigo cujas crises de dor lombar têm sido tão agudas que sobrevive há dias com injeções para continuar funcional.
A OMS estima que 80% da população mundial sofrerá em algum momento da vida de dores lombares (lombalgia) e que 8 em cada 10 pessoas sofre ou sofrerá de hérnia de disco. Em Portugal o INE estima que 30% da população, ou seja quase um terço, sofre com este tipo de dor, sendo as dores lombares a principal doença crónica do país.

Somos seres holísticos e por isso é tão importante que a nossa cura passe igualmente por uma abordagem holística consciente e integradora, lembrando que estas partes do nosso corpo muitas vezes revelam algo profundo sobre a forma como conversamos connosco e com o mundo. Se fomentarmos relações pouco harmoniosas e prazerosas, bélicas ou desequilibradas, como é que podemos esperar que a energia flua de forma saudável e não conflituosa nesta zona (Balança)? Por outro lado se alimentarmos medos e nos sentirmos constantemente impotentes não ficaremos nós reféns dos mesmos e como resultado disso imobilizados, paralisados? O que continua por sanar nas nossas relações? Porque receamos tanto a escassez? O que nos continua a tirar a paz e o equilíbrio?